"A Engrenagem" é um espetáculo em que ninguém sai impune, mexe com as estruturas emocionais de todos. É uma espécie de grito sufocado que vem à tona. A peça teatral criada por Luiz de Assis Monteiro é baseada em pesquisas realizadas acerca do teatro futurista, retratando a sociedade brasileira em seus diversos segmentos. É constituída de cenas subjetivas que retratam aspectos da desumana realidade, qual todos conhecemos mas que de uma forma ou de outra nos tornamos totalmente passíveis.
O pouco diálogo remete as palavras às entrelinhas e o entendimento depende inteiramente do espectador, de sua cultura, é necessário que cada um busque dentro de si o real objetivo exposto no palco. A interpretação de cenas, o movimento, a hipérbole corporal, o grito e a violência interpretativa, discutem, de forma contundente, aspectos perversos e humilhantes da sociedade, como: desigualdade e exclusão social; fome; pedofilia; preconceito; etc.
O intuito da peça é despertar atenção para a cruel miséria que muitas pessoas vivem. Miséria que está estampada nas ruas do bairro, da cidade e do país. Luiz, autor e diretor da peça que surgiu em 1993, descreve a obra com “Uma espécie de teatro de revolta e de indignação”. Segundo ele A Engrenagem nasceu de um “certo momento de revolta” pois a realidade dos excluídos, sobretudo, dos mendigos o incomodava muito.
Esta já é a quarta montagem do espetáculo e a cada retomada são inclusas novas cenas, pois nossos problemas se agravam a cada dia. O autor crê que a obra será mantida em seu repertório por muito tempo. “A menos que esta realidade mude.” completa Monteiro.